terça-feira, 6 de março de 2007

O bidet


Pois é caros leitores, apetece-me falar sobre o bidet. Porquê? Porque gosto da palavra, gosto da funcionalidade do objecto em questão e gosto dele também porque recentemente, parece haver um movimento dos auto-intitulados modernos, ou eruditos, destinado a rebaixar e fazer desaparecer tão nobre peça de mobiliário dos nossos lares.
Para aqueles que têm a mania que sabem tudo, o bidet surgiu em França, por volta de finais do séc. XVII ou início do séc. XVIII. O seu nome, em francês, significa "ponei", sim esse cavalinho anão, e etimologicamente justifica-se pelo facto de ser tão fácil subir para um bidet como para o dito animal em questão (quem já tentou montar um ponei, facilmente aperceber-se-á que a comparação não é, de todo, feliz).
Somente por volta de 1900 se deu uma mudança dramática: o bidet foi expulso do seu habitat natural, o quarto de dormir, para ser desterrado num lavabo, onde foi obrigado a conviver com outros seres da sua família, mas estes muito menos nobres: a retrete e o urinol.
Sendo uma das suas funções, a lavagem da genitália externa feminina e masculina, bem como toda a zona perineal, é minha opinião que tão útil objecto merecia repousar nos nossos aposentos, e não em qualquer lavabo infecto.
Eu, pessoalmente pouparia entre cinco a seis idas à casa de banho, após fazer o amor com as minhas parceiras, se o bidet estivesse no seu local original, a cabeceira da cama.
Numa recente remodelação doméstica, entrei em crispação com o meu arquitecto devido à não inclusão de um bidet, lindo, no lugar da minha mesa de cabeceira. O bidet seria perfeito: com a água a correr refrescaria a minha genitália a qualquer hora da noite, se tivesse sede podia facilmente encher um copo e nada me impediria de colocar sobre ele um despertador e a minha colecção de revistas hedonistas. Mas sonhei... o máximo que consegui, foi um bidet longínquo, distante, em apenas uma das casas de banho, e lutei estoicamente por ele!
Não percebo como pode alguém querer viver sem bidet. As suas aplicações são múltiplas e compete apenas à nossa imaginação impôr limites. Serve de cinzeiro, de urinol improvisado, lava pés após a praia, bebedouro para animais domésticos, com gelo refresca bem umas cervejinhas em qualquer festa mais concorrida, guarda eficazmente a nossa leitura defecatória, podemos colocar nele os peixes enquanto limpamos o aquário, dar banho à criança, colocar roupa suja, cultivar fungos e bolores, enfim, a lista seria sempre demasiado extensa...
Confesso que toda esta teoria tem como génese a minha fobia por genitália feminina mal higienizada. Imagino-me a entrar em casa de uma moçoila, ir à casa de banho, e descobrir que não existe bidet! Será uma rapariga de confiança? Tomará sempre um duche, quando o seu gineceu clamar por um jacto de água fresca? O oposto também é válido, o que pensará de mim a mesma moçoila, quando no meu lar, descobrir a ausência de tal objecto? E se ela com vergonha, perceber que, após passar os dedos pela sua virtude, o seu estado de manutenção exige um chap-chap rápido (parafraseando Ricardo Araújo Pereira), estará ela na disposição de tomar um duche, ou baterá em retirada, deixando-me na dúvida acerca do motivo da sua renúncia?
Meus caros, não menosprezem o bidet, defendam-no, recomendem-no, ofereçam-no aos amigos e amigas no Natal, pelo vosso conforto, saúde e vida sexual.

Um comentário:

Anônimo disse...

O Bidet (em português, bidé)

Ora aí está um bonito tema.

Concordo com a maioria do que foi mencionado, embora com uma ressalva: cuidado amigos, não cagar no bidé (ou bidet, ou em inglês Bydet). Para além de ser hipoteticamente embaraçoso numa festa, é difícil como o raio fazer o cagalhão passar pelo ralo.

Eu sei do que falo


Parabéns pelo blog!